Viagens a trabalho, com a família ou de férias pedem conforto. Um bom hotel, bom atendimento, boa comida… mas e quando a ideia é rodar vários lugares do mundo apenas com uma mochila nas costas? Você consegue se imaginar passando seis meses fora de casa, sem conforto, caminhando o dia todo e dormindo cada noite num lugar diferente? Pois tem gente que largaria tudo pra viver um tempo assim. São os famosos mochileiros, que literalmente viajam o mundo somente com uma mochila que leva o essencial para sobreviver. Foi o instinto aventureiro que levou o casal Guilherme Canever, 33 anos e Bianca Soprana, 31, a abrir mão da rotina, do conforto e da estabilidade para fazer uma viagem de 18 meses. Sim, isso mesmo: 1 ano e meio viajando por países da África, Ásia e Europa. Eles rodaram 38 países, passando todo esse tempo imersos nas mais diferentes culturas. saiporai3.jpg O planejamento envolve finanças, preparo físico e, principalmente, cabeça aberta: “a primeira coisa que recomendamos é que a pessoa busque um roteiro de países com realidades bem diferentes da sua”, conta Bianca. “Só assim é possível vivenciar a viagem, experimentar as outras culturas sem ficar preso àquilo que a gente vive na nossa rotina, que é fundamental numa viagem tão longa”. Desapego é a palavra de ordem, afinal passar tanto tempo somente com os itens de uma mochila é um desafio. Por falar em mochila, os viajantes dão a dica na hora de montar uma mala de mochilão. “O peso da mochila não pode ultrapassar 10% do seu peso, senão fica desconfortável”. Bianca passou todo esse tempo com um guarda-roupa restrito: 2 bermudas, uma calça comprida, 2 regatas, 4 camisetas e alguns poucos calçados. “Um bom tênis para caminhar e um par de havaianas, que é considerada até um item fashion em qualquer país onde você vá”. Para não passar frio, a dica é montar o roteiro passando sempre pelos lugares nas estações mais quentes e eliminando a necessidade de levar roupas muito pesadas na mochila. saiporai6.jpg E quanto custa uma aventura dessas? Entre 8 e 15 mil dólares, dependendo do estilo do viajante. Quanto mais econômica for a viagem, mais tempo na estrada. Guilherme indica os lugares mais baratos que cruzaram na viagem: “em primeiro lugar a Índia, onde gasta-se de 6 a 15 dólares por dia, incluindo transporte, alimentação e hospedagem”. O casal usou a rede couch surfing para conseguir hospedagens baratas e, de quebra, ainda conhecer pessoas de todos os lugares: “o couch surfing funciona muito bem, você está o tempo todo conhecendo as pessoas que moram em cada local e isso ajuda a absorver melhor a cultura”, contam. saiporai8.jpg E engana-se quem pensa que só pessoas jovens encaram uma aventura dessas. Guilherme e Bianca encontraram gente de toda idade e cultura e conheceram vários casais com idades entre 55 e 60 anos de mochila nas costas, fora de casa há meses. A experiência de quem escolhe o mochilão como estilo de vida vai além da compreensão: “só quem viaja entende. É mais do que um choque cultural, é um choque descobrir coisas sobre si mesmo”, destaca Bianca, que é psicóloga clínica e professora. “Quem viaja não está em ciclo nenhum, não precisa fazer parte de nada em nenhum momento. Mas nem tudo são flores: viajar é um sonho quando você começa a planejar, quando a coisa ainda está no papel. Na prática, viajar o mundo assim deixa de ser sonho e passa a ser desafio”, finaliza. E pelo jeito, é impossível parar: o casal já planeja um novo mochilão para iniciar em abril de 2011. Os relatos da viagem, ricos em fotos e informações sobre cada local, estão nos blogs Saí por Aí e Também Saí. saiporai7.jpg




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