Você já pensou em aproveitar as férias para conhecer castelos mal assombrados, cemitérios e antigos campos de batalha? Estranho? Pode ser. Mas muita gente visita esses lugares, seja pela curiosidade mórbida, pelo interesse histórico, pela oportunidade… Tanta gente que esse tipo de turismo tem até nome: Dark Tourism. Um dos destinos mais procurados pelos adeptos é o símbolo máximo do Holocausto, o campo de concentração Auschwitz. Localizado nos subúrbios da cidade polonesa de Oswiecim, foi estabelecido pelos nazistas em 1940. Auschwitz se tornou o maior campo de concentração nazista, com capacidade para mais de 100 mil presos. A entrada é gratuita para aqueles que preferirem explorar Auschwitz sozinhos, mas guias podem ser contratados no local. Grupos entram apenas acompanhados. O museu oferece tours de até dois dias, mas em três horas é possível conhecer o local. Outro palco de uma grande tragédia, Chernobyl, em Pripyat, na Ucrânia, está cercada por uma cidade fantasma. Em 28 de abril de 1986, a central nuclear teve um grave acidente, mas os moradores foram avisados apenas dois dias depois. Até hoje, os turistas encontram objetos deixados pelos habitantes no momento da evacuação. O tempo de visitação é restrito, por causa da radiação ainda presente, 25 anos depois do maior desastre nuclear de todos os tempos. Passeios para visitar o local saem de Kiev, de ônibus. Os turistas podem visitar a floresta que cerca a região, a fábrica e o reator 4, onde o acidente aconteceu. Pompeia, na Itália, também se tornou uma atração famosa de uma maneira trágica. Em 79 a.C., a pequena vila foi destruída em uma erupção do vulcão Vesúvio. A nuvem de cinzas enterrou a cidade, que permaneceu oculta por 1600 anos, até ser redescoberta no século XVIII. Hoje os visitantes podem ver as ruínas das antigas construções e ruas. As vítimas do desastre também foram preservadas pela ação das substâncias liberadas na fumaça do Vesúvio e podem ser encontradas na mesma posição em que morreram no dia da erupção. Uma das nossas maiores metrópoles brasileiras também está repleta de histórias sombrias, sem finais felizes. Entre as atrações de São Paulo estão casas mal assombradas, como a Casa de Dona Yayá e o Castelinho da Rua Apa, e o edifício Joelma, repleto de lendas, que em 1974 foi cenário de um incêndio com 188 vítimas fatais e 280 feridos. Turismo cemiterial Os cemitérios também estão presentes nos roteiros de grande parte dos turistas, mas sua visitação não é classificada como Dark Tourism, e sim cemiterial. Alguns cemitérios estão entre as atrações mais visitadas em suas cidades. É o caso do Père-Lachaise, em Paris, que está entre as cinco atrações parisienses mais procuradas. Entre seus túmulos, estão os de Jim Morrison, Molière, Honoré de Balzac, Oscar Wilde, Frédéric Chopin e Allan Kardec. De acordo com a vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, Clarissa Grassi, os cemitérios são retratos da relação das pessoas de diferentes culturas e períodos históricos com a morte. Uma visita também pode revelar muito sobre a história e cultura local. Basta ficar de olho na arquitetura, esculturas, nos materiais utilizados, epitáfios e até mesmo nas personalidades enterradas. É por isso que esses locais costumam ser prioridade em pesquisas, como conta Clarissa, “a melhor fonte de dados sobre uma civilização antiga é o cemitério”. A maioria dos cemitérios vira atração pela arquitetura e arte tumular ou por seus ‘moradores’ ilustres. É o caso do Cementerio de La Recoleta, em Buenos Aires. Inaugurado em 1822, estão sepultados entre seus muros presidentes, escritores, artistas e até grandes nomes da independência argentina, entre eles os presidentes Sarmiento, Mitre, Yrigoyen, a líder política Eva Perón e os ganhadores do Prêmio Nobel Federico Leloir e Saavedra Lamas. O Highgate Cemetery, em Londres, além de belas obras de arte tumular, atrai visitantes que buscam os túmulos de Karl Marx e o físico Michael Faraday, além de escritores como George Eliot, o pseudônimo de Mary Anne Evans. Os curiosos que buscam uma opção de passeio próxima podem colocar a cidade de São Paulo no roteiro. O Cemitério da Consolação, o mais antigo da capital paulista, possui visitas guiadas, que levam o turista a túmulos espetaculares e personagens históricos, como Monteiro Lobato, Washington Luís e a Marquesa de Santos. Além de personalidades importantes para a história, os turistas também podem conhecer histórias e fatos curiosos nos cemitérios das grandes cidades. É o caso de Maria Bueno, enterrada no Cemitério Municipal de Curitiba. Os devotos creem que Maria atende às preces de seus devotos até hoje, sendo uma das mais conhecidas santas populares no Paraná. Agradecimentos: Clarissa Grassi, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais.




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