O jet lag é um distúrbio de sono muito comum entre pessoas que viajam, pois ao mudar de fuso horário o corpo sente a diferença entre as horas de luz e escuridão e o organismo pode alterar a forma de trabalhar. A troca do dia pela noite e a privação do sono causadas por essa modificação podem afetar os planos de quem viaja a outro país a trabalho ou a passeio.

Irritabilidade, falta de concentração, sonolência e até a irregularidade do funcionamento do intestino são sintomas sofridos por quem não repõe as horas de sono adequadamente.

Para amenizar o impacto do jet lag, a neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono (ABS), Elyéia Hanuch, diz que é preciso levar em conta os seguintes aspectos: tempo de duração da viagem, o motivo do deslocamento e por quantos fusos a pessoa irá passar.

Quando a viagem é curta, com a duração máxima de até três dias, a médica declara que é melhor não tentar se habituar ao horário local, pois não valeria o esforço de ter de voltar para casa e se restabelecer a rotina do sono novamente. “Estima-se que a cada hora de fuso, são necessárias 24 horas para se adaptar”, afirma.

Já para quem vai permanecer mais de uma semana no destino, a melhor forma de aproveitar a estada é se adequar ao horário local e dormir e se alimentar de acordo com a rotina do lugar.

Conforme explica Elyéia, também é necessário considerar o motivo da viagem, pois há diferença entre enfrentar o jet lag quando se está a passeio e quando se está a trabalho. Se alguém se desloca com fins profissionais, é preciso ter disposição para atender aos compromissos e ser produtivo. O mesmo vale para quem trabalha viajando, como os comissários de bordo e pilotos de avião.

Para essas pessoas, a neurologista indica consultar um médico para ver se há a possibilidade de utilizar um medicamento para ajudar a enfrentar as frequentes mudanças e, ainda, estabelecer uma regra de horário para descanso.

Mas, ela não recomenda utilizar qualquer medicação sem a prescrição de um médico, pois pode ser muito mais drástico enfrentar os efeitos colaterais de um remédio longe de casa, do que lidar com os problemas ocasionados pela mudança de fuso.

Elyéia afirma que para viagens com fins turísticos ou mesmo para pessoas que viajam eventualmente por outros motivos, dificilmente será preciso utilizar medicamentos. “Seguir conselhos divulgados em blogs sobre o uso de remédios em viagens também pode ser perigoso”, alerta a médica.

Para enfrentar o fuso

Como o corpo humano é adaptável e com o tempo irá se acostumar ao ritmo de outra localidade, para enfrentar os primeiros dias no destino, é importante descansar bem antes da viagem. “A gente acaba deixando tudo para a última hora e sai de casa já cansado”, acrescenta.

Se a viagem de avião for à noite, evitar comer muito na janta, não ingerir bebida alcoólica e utilizar o kit oferecido pela companhia aérea – como a máscara escura para os olhos e o tapa ouvidos para dormir e descansar.  Ainda, tentar não usar o sistema de entretenimento do avião durante todo o percurso, pois ao chegar pela manhã, estará exausto.

“Se quiser utilizar as facilidades da companhia aérea e aproveitar a viagem ao máximo, prefira os voos diurnos, para chegar no local à noite e, então, se dirigir para o hotel e repor o sono durante o período noturno”, completa.

Se a chegada for pela manhã, aproveitar o período claro do dia para passear ou trabalhar. Não é aconselhado pela médica se dirigir para o hotel, fechar a janela e dormir, pois assim será mais difícil se adaptar ao fuso local.




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