Viajar sozinho: a simples junção dessas palavras pode causar arrepios e entusiasmo, tudo ao mesmo tempo. A liberdade e o medo andam lado a lado quando essa ideia vem à mente. Mas como é, na prática, essa experiência tão intrigante? De acordo com o cineasta Luccas Soares, viajar sozinho é uma aventura muito diferente do que podemos imaginar, “Qual é a maior dificuldade de uma viagem dessas? Problemas com o idioma? Comunicação? Choques culturais? Não, nada disso. A maior dificuldade é dar o primeiro passo e sair de casa”. Luccas conta que, em 2011, conheceu 27 países em um mochilão solitário, uma jornada para guardar na memória. “Com ela, aprendi as maiores lições da minha vida, principalmente como tolerar a mim mesmo”, conta, e completa: “Nunca soube o que era estar sozinho até então… Me apaixonei”. LUCCAS_Guanajuato_Mexico.jpg Luccas em Guanajuato, no México. A empresária Mariana Ordine teve a oportunidade de viajar sozinha por duas vezes. Na primeira experiência, foram seis meses de estudos em Porto, Portugal. A segunda, um tour de um mês pela Europa. Mariana coleciona vantagens. A primeira delas, claro, são as novas amizades: “Quando você viaja sozinho fica mais vulnerável, mais carente, por assim dizer, então deixa qualquer timidez de lado para conversar com alguém”. Mariana também ressalta as vantagens desse contato, “Conhecer pessoas de outros países, com uma cultura totalmente diferente da sua, com uma percepção do mundo e das coisas totalmente diferente, é um aprendizado que só uma viagem assim pode proporcionar”. E os benefícios da solidão não param por aí. “É maravilhoso poder fazer a viagem 100% como você quer. Os roteiros, hotéis, pontos turísticos que você escolher. No seu ritmo”, explica Mariana, que fecha com outro bom argumento: “O crescimento pessoal, no sentido de que você está sozinho em um país diferente, a milhares de quilômetros da sua família, e precisa ‘se virar’, enfrentando situações difíceis sem ninguém ao seu lado”. A liberdade e o crescimento pessoal também são as maiores vantagens para Luccas, “Muitas pessoas pensam no medo de uma viagem solitária. Mal sabem elas que estar sozinho significa liberdade e, muitas vezes, te abre portas inimagináveis”. O cineasta conta que a experiência só tem a acrescentar: “A sociabilidade e a aceitação se transformam em um prazer. Seus problemas internos e suas frustrações desaparecem. Coração aberto é o primeiro passo para quem deseja entrar nesse barco. Depois de aberto o coração, sorriso no rosto, energia positiva e preparação, pessoas maravilhosas irão aparecer no seu caminho e sua vida nunca mais será a mesma”. As vantagens são inúmeras, mas é importante lembrar que nem tudo são flores. Nossos viajantes contam que enfrentaram sim alguns momentos complicados no caminho. “A única dificuldade que encontrei foram todas as decisões, situações difíceis e ‘perrengues’ que você precisa lidar sem um amigo ou parente do lado, mas que servem para você se tornar uma pessoa mais independente e segura de si!”, conta Mariana. Luccas também diz que a solidão pode incomodar, mas não deve ser um empecilho, “A solidão pode ser cruel, mas também pode ser inspiradora. Nunca saberemos dar o devido valor aos pequenos detalhes da vida se não vivermos momentos como esses”. Mariana_-_Viena.JPG Mariana em Viena, na Áustria. Dicas para quem vai Se você se animou com o relato de Mariana e Luccas e decidiu colocar o pé na estrada com sua mochila e mais ninguém, lembre-se de que existem alguns detalhes a serem acertados para que a viagem seja tranquila e segura. O primeiro deles é o planejamento. Procure definir as cidades que vai visitar, quais são seus pontos turísticos de interesse, onde você vai se hospedar e como será feito o seu transporte. Planejando com antecedência, você pode se organizar para evitar passeios acidentais em locais e horários pouco amigáveis. “É importante saber para onde você vai e como vai chegar até lá, prevenindo qualquer confusão. Isso é importante em qualquer viagem, mas em especial em uma que você fará sozinho”, aconselha Mariana. Outro fator importante é o cuidado com seus documentos. Mantenha o seu dinheiro, cartões, documentos pessoais, confirmações de reserva (imprima todas!) sempre com você. Você pode usar pochetes pequenas escondidas debaixo da roupa. Preocupe-se também em conhecer um pouco do idioma local e certifique-se de que o seu inglês está em dia. Saber se comunicar é essencial para que você se sinta mais seguro e se vire melhor. Se você tiver conhecidos em seu destino, aproveite. Peça dicas ou marque um encontro. Quem sabe você ganha até mesmo uma hospedagem? Se esse não for o caso, a dica é optar pelos albergues: “Eles geralmente são bem localizados, baratos, seguros e um ótimo lugar para conhecer pessoas do mundo todo. Você vai ver que não é a única pessoa viajando sozinha e que todos estão na mesma situação que você!”, conta Mariana. Para fechar, evite qualquer situação que considere arriscada. Mariana dá a dica: “Use seus instintos! Se você se perdeu em uma ruela de Veneza e acha que está em um lugar perigoso, com pessoas suspeitas ao redor, não abra seu mapa de 1m x 1m e tente se achar. Caminhe como se conhecesse aquelas ruas desde pequena, até achar um lugar seguro”. Procure não agir como um turista perdido, um alvo fácil. Mulheres: nunca andem sozinhas em locais suspeitos e cuidado com as pessoas em quem vocês confiam. O planejamento prévio pode ajudar você a fugir dessas situações. Luccas também resume os cuidados que considera essenciais: “Acreditem nas suas mães. Levem pouca bagagem, aprendam a falar inglês e comprem a passagem. Fiquem atentos aos sites dos mochileiros, não gastem com hotéis caros, escolham os albergues e sejam felizes”, aconselha.




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