Na década de 30, eram poucas as atividades às quais as mulheres podiam dedicar as suas vidas. Amarradas pelas leis ou pela cultura, muitas delas cuidavam em tempo integral da família ou assumiam profissões tradicionalmente femininas, como a de professora. Foi nessa época que a enfermeira Ellen Church, uma apaixonada pela aviação, encontrou uma maneira de ficar mais perto da profissão de piloto, uma exclusividade dos rapazes. Ellen sugeriu à companhia aérea Boeing Air Transport que os aviões tivessem enfermeiras a bordo durante o voo, para garantir a saúde e a segurança dos passageiros. Assim surgiu a profissão de comissário de bordo, inicialmente dominada pelas mulheres. No início, eram contratadas apenas comissárias solteiras, sem filhos e que se encaixavam em padrões restritos de peso e altura. Os salários eram baixos, mas as funcionárias se tornaram essenciais com rapidez: a figura frágil da mulher tomado conta dos passageiros passava confiança e agradou os clientes. Com o passar do tempo, a profissão passou por uma série de mudanças. E se você acredita que as atividades de um comissário se resumem a servir os lanches e passar as informações de segurança, sempre com um sorriso no rosto, engana-se. Quem quer seguir carreira nos ares deve, antes de tudo, atender a alguns pré-requisitos sérios. É preciso ter entre 18 e 29 anos, segundo grau completo e determinação para passar por uma seleção criteriosa. Os futuros aeromoços e aeromoças precisam passar por um curso especializado na formação de comissários, que inclui etiqueta e instruções para casos de emergência. O curso tem 138 horas (cerca de cinco meses) e o preço fica em torno de R$ 1.800,00. Mas atenção: a escola deve ser credenciada na ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Você pode encontrar a lista de instituições no endereço www.anac.gov.br/educator. Helen Carcereri (28) resolveu deixar a carreira em comunicação para se tornar comissária de bordo há 5 anos. A mudança partiu do interesse por assumir um novo desafio e teve o apoio de um amigo que já trabalhava na área. O primeiro passo foi o curso preparatório, como conta Helen, “Realizamos diversas provas sobre conhecimentos específicos da área e também a parte prática de sobrevivência na selva, simulando emergências, por exemplo”. Depois do curso, é preciso fazer uma prova para tirar a Licença de Comissário de Voo, que é aprovada pela ANAC, e passar por uma série de exames. A saúde do comissário deve estar em ordem, uma vez que problemas de visão, audição, pressão alta e epilepsia, por exemplo, podem impedi-lo de cumprir sua função. Depois de passar pela preparação, o comissário pode finalmente ser contratado, mas ele ainda não está livre de alguns critérios das companhias aéreas. Elas costumam pedir pessoas com altura mínima de 1,58 para mulheres e 1,65 para homens, além de peso adequado. A personalidade também conta muito. Os comissários precisam ser simpáticos, prestativos e solícitos. O autocontrole também é importante. Em caso de emergências, é importante manter a calma para auxiliar os passageiros da melhor forma e não criar pânico. O conhecimento de outras línguas é um grande diferencial na área. O inglês é obrigatório e o espanhol também é muito requisitado. Idiomas como italiano, francês e alemão, ou os menos falados grego, romeno e russo, por exemplo, podem facilitar a entrada do comissário em rotas internacionais. Depois de entrar na empresa, os comissários passam por um período de treinamento, com 27 horas de instruções gerais sobre a profissão. O treinamento é seguido de um estágio de 15 horas e uma prova detalhada, que envolve todos os conhecimentos que o comissário deve dominar. Se o candidato se sair bem, pode tirar a licença e é contratado. Dia a dia Os comissários trabalham em escala e têm direito a oito dias de folga por mês. Existem também os dias de escala reserva, quando o comissário deve estar pronto para entrar em ação, se solicitado. De acordo com a lei, viajar por mais de 40 horas seguidas é proibido. A regulamentação da profissão garante o descanso (necessário). O número de voos por dia pode variar, ficando geralmente entre dois e cinco. O salário é pago de acordo com o tipo de voo que o comissário realiza. A remuneração em voos noturnos ou durante feriados é maior. Uma das grandes vantagens da profissão é a possibilidade de conhecer os destinos. Os comissários podem, ocasionalmente, ficar hospedados em hotéis, esperando pelo próximo voo e com tempo para conhecer a cidade. A profissão também possibilita o contato com pessoas de todas as partes, até mesmo entre a própria tripulação. Os comissários se encontram apenas antes do voo em uma sala especial onde recebem orientações do comandante. Depois de realizar a prova da ANAC e enviar o currículo para as empresas, Helen entrou para uma companhia aérea brasileira, onde realiza hoje voos nacionais e internacionais. Helen acredita que uma das maiores qualidades que um comissário precisa ter é o dinamismo. “A profissão exige que a pessoa seja ágil, flexível, adaptável, afinal, trabalhamos com escala de voo, dependemos da meteorologia, entre outros fatores. De uma hora pra outra, tudo pode mudar: seu voo, seu destino, seu horário, etc.”, conta Helen, e completa, “A pessoa, além disso, deve adorar a diversidade, ser comunicativa e gostar muito da profissão”. Helen vê nas constantes mudanças e no contato com diferentes lugares e pessoas as maiores vantagens de sua profissão. Mas lembra que nem tudo são flores: “A falta de rotina prejudica diversos setores da sua vida, seja pessoal, social, psicológico, intelectual, físico. Você está constantemente fora da sua casa, da sua cidade, longe das pessoas que você ama”. A altitude e os horários variáveis também podem causar alguns problemas de saúde, como a deficiência de nutrientes, alterações na pressão e no ciclo menstrual das mulheres. Helen recomenda a profissão para quem tiver interesse pela área ou quem quiser realizar uma mudança emocionante em sua rotina, “É uma área que está em constante crescimento e o mercado vive carente de profissionais. Portanto, venham viver esta emoção!”.




Veja também

Viagens curtas de carro são opção durante a pandemia

Home office está surpreendendo os empresários

Reserva online