Antonia Carvalho, atual empresária e representante de uma empresa norte-americana no Brasil, estava com 50 anos e no auge da carreira quando decidiu deixar o alto cargo de gerência ocupado em uma empresa no Centro Oeste brasileiro para se dedicar durante um ano a conhecer outras culturas e estudar um novo idioma. Então, em 2008, saiu de Brasília e se mudou para a Austrália, país escolhido para encarar o novo desafio. Esse intervalo dado por Antonia na carreira, com a intenção de investir em novos conhecimentos e ir em busca de outras perspectivas, tem se torando cada vez mais comum mundo afora e recebe o nome de período sabático. “Os profissionais hoje tiram o período sabático para investir profissionalmente no estudo de idiomas e até em experiências culturais”, declara a gerente executiva da Michael Page, Renata Wright. E os motivos podem ser diversos. Um deles, explica a gerente, é devido ao período de crise vivenciado entre 2008 e 2009, quando o ritmo da vida profissional se tornou mais intenso, assim como as pressões aumentaram em busca de mais resultados. Com a rotina de produtividade intensificada, os trabalhadores podem chegar a um esgotamento, levando-os a fazer uma pausa em suas carreiras para repensar seus valores e ideias no mercado. “Quando o profissional atinge um esgotamento e não é mais produtivo, esse período serve para recarregar a bateria e voltar até melhor do que era antes e mais decidido do que ele quer ser”, afirma. Para Antonia, a experiência serviu para o crescimento tanto profissional como pessoal, pois precisou lidar com tudo o que envolvia morar no exterior. Ao voltar, não enfrentou dificuldades para se recolocar no mercado. Ao contrário, ela pôde escolher onde gostaria de trabalhar. E isso trouxe mudanças ao decidir seguir para o ramo educacional. “Após ficar fora, o mercado te absorve rapidamente, pois você se desenvolve como pessoa e aumenta suas possibilidades. Eu já tinha 50 anos e morava em Brasília. Mas eu voltei para o mesmo lugar e consegui um cargo executivo aqui. Não precisei ir a um grande centro, como São Paulo e Rio de Janeiro, em busca de uma nova oportunidade”, acrescenta Antonia. Renata entende a facilidade de recolocação de quem opta por fazer um período sabático. “Se houver investimentos e forem realizados com eficiência, o profissional retorna mais saudável e produtivo e as empresas estão sedentas por isso”, completa. Como fazer Porém, para dar uma pausa na carreira é preciso se organizar e, antes de mais nada, ter um motivo significativo, diz a gerente, independente do tempo de carreira. Um gerente sênior – com menos tempo – pode sair incentivado a repensar suas escolhas. Já um executivo sênior – com mais tempo – busca por um descanso criativo e físico. Outro ponto importante a ser levado em consideração é que repensar a escolha traz angústia, de acordo com Renata, pois momentos de dúvidas e incertezas aparecem, assim como questionamentos sobre se tomou a decisão correta. Antonia diz que o medo é comum por ser um período de instabilidade e, ainda, podem aparecer pessoas para desmotivar e não apoiar a ideia. Por isso, para ter segurança, é necessário estar preparado financeiramente para o começo, meio e fim. Ou seja, contar inclusive com o período do retorno até a recolocação no mercado, indica Renata. Um coaching e amigos da rede profissional também podem servir de respaldo nesse processo.




Veja também

5 sites para encontrar histórias incríveis de viagem

Viagens curtas de carro são opção durante a pandemia

Reserva online